Um fenômeno inusitado aconteceu na noite do dia 20/01 em Cambará do Sul na Serra Gaúcha. O céu ficou pintado de tons lilases por cinco minutos. O raro episódio, algo parecido com uma possível forma de aurora austral, versão do Hemisfério Sul da famosa aurora boreal que ocorre no Hemisfério Norte, intrigou os moradores e especialistas.
A aurora Boreal é um fenômeno natural que acontece muito na Noruega, Islândia e Finlândia especialmente. O que aconteceu em Cambará do Sul não tem uma explicação clara ainda.
O fotógrafo Egon Filter, registrou o fenômeno através de uma imagem de longa exposição. A fotografia foi capturada por volta das 21h do dia 20/01.
Egon, que trabalha com fotografia há 41 anos, estuda astronomia e é especialista em astrofotografia, disse ao Portal G1 que “A aurora boreal (no Hemisfério Norte) e a aurora austral (no Hemisfério Sul) ocorrem normalmente em latitudes acima do paralelo 60 graus — o Rio Grande do Sul está na latitude entre 29 e 33 graus — mas sei que podem ocorrer raras exceções em caso de tempestades solares e uma bem violenta aconteceu um dia antes, por isso acredito que vimos uma aurora”.
Entretanto, o professor Carlos Fernando Jung, doutor em engenharia de produção e fundador do observatório Heller & Jung, em Taquara, argumentou que “A tempestade solar que ocorreu no dia 19/01 poderia permitir um evento assim, mas não seriam auroras clássicas como as da Noruega ou Antártida”.
Jung explicou ainda que as auroras acontecem quando o vento solar interage com o campo magnético da Terra. Estes fenômenos se concentram principalmente nas regiões próximas aos polos magnéticos.
Partículas carregadas emitidas pelo Sol, conhecidas como vento solar, interagem com o campo magnético da Terra. “Em períodos de maior atividade solar – que seguem ciclos de cerca de 11 anos – esse fluxo se intensifica, aumentando a frequência e a intensidade do fenômeno” – apontou o site Viagem e Turismo.
Assim, em condições normais, esse tipo de manifestação não pode ser visto no sul do Brasil, onde aliás também nunca houve registro de uma aurora.
O ocorrido poderia ser talvez um ‘airglow’, que tem intensidade menor e cores mais dissipadas no céu. O airglow trata-se de um efeito luminoso difuso causado pela colisão de átomos na alta atmosfera após eventos como tempestades magnéticas e ventos solares de alta intensidade.
Outro especialista, José Valentin Bageston, doutor em Geofísica Espacial e diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em Santa Maria disse não acreditar também na ocorrência de uma aurora propriamente dita.
“Nosso detector de partículas não registrou nada no observatório em São Martinho da Serra” – afirmou.
Talvez, possa se tratar de um “Arco Vermelho de Aurora” (da sigla inglesa SAR), postulou Bageston. Mas ele confessa ficar em dúvida ao comparar o registro com outras fotos do mesmo fenômeno. O Arco Vermelho é manifestação luminosa, visível também durante atividades solares extremas.
O clarão que pintou os céus de Cambará do Sul de roxo chamou a atenção também de pesquisadores americanos da plataforma Space Weather. Os autores do site, referência mundial em registros astronômicos, também divergiram sobre o assunto, destacando a raridade desse tipo de fenômeno luminoso no sul do Brasil por estar dentro da chamada Anomalia do Atlântico Sul, região onde o campo magnético terrestre seria mais fraco.
Dias depois, na noite do dia 25/01, outro evento luminoso ímpar, aconteceu nos céus de Alfredo Wagner, na Serra Catarinense. Tons de verde, azul, roxo e branco tomaram a paisagem noturna e chamou a atenção pela intensidade das cores e pela visibilidade a olho nu. O fotógrafo Vitor Tatagiba fez o registro em Alfredo Wagner.














