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Água doce é encontrada sob o fundo do Oceano Atlântico

Fundo Submarino - Foto de Jeremy Bishop - pexels.com
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Água doce no oceano? Sim, é isso mesmo. Intrigante, mas é verdade!

Geólogos americanos da Universidade de Columbia encontraram uma gigantesca reserva de quase 3 mil quilômetros cúbicos de água doce nas profundezas da crosta abaixo do subleito submarino.

O aquífero está sob o fundo do Atlântico Norte, entre Nova Jersey e Massachusetts, na costa dos Estados Unidos.

A descoberta abre nova fronteira para busca de recursos hídricos em um mundo que a cada a dia, mais e mais, vive em uma crise global de abastecimento.

O conhecimento da existência de água nas profundezas da crosta sob o fundo oceânico é antigo, das décadas de 60 e70.

Em 2019, cientistas do Woods Hole Oceanographic Institution e da Universidade de Columbia anunciaram essa reserva sem precedentes.

Usando ondas eletromagnéticas, os geólogos mapearam uma faixa gigantesca de água doce no subsolo abaixo do oceano, no que talvez possa ser “a maior formação desse tipo já encontrada no mundo” – afirmaram os pesquisadores em comunicado.

A descoberta foi publicada na revista Scientific Reports da Nature.

O gigantesco reservatório localizado na costa dos EUA é apenas um dos muitos que se acredita possam existir escondidos sob os oceanos do mundo.

Os pesquisadores passaram três meses em alto-mar, explorando entre aproximadamente 300 a 400 metros abaixo do fundo do mar, coletando amostras, usando um navio equipado com uma sonda de perfuração.

Análises preliminares da água do aquífero revelaram que ela tem um teor de sal bem abaixo da água do mar e próximo ao nível recomendado por agências americanas e internacionais para água potável.

Outros testes de laboratório deverão apontar que tipo de micróbios ela pode ter e quão segura pode ser para o consumo humano.

Agora a ciência buscará responder questionamento sobre como essa água chegou lá? Qual a idade da água? Ela está sendo reabastecida? Qual tipo de recarga alimenta o aquífero subterrâneo sob o leito do fundo do mar?

Brandon Dugan, professor de geofísica da Escola de Minas do Colorado e um dos líderes da expedição, disse que a idade da água do reservatório é um mistério a ser desvendado. Ela “pode ter 200 anos, pode ter 20.000 anos” – disse.  Talvez até mais.

Segundo Dugan, “a presença de água mais jovem pode sugerir que a reserva está sendo reabastecida; água mais antiga indicaria que se trata de um depósito finito que não está se recarregando”.

A origem da água é outra questão a ser pesquisada. Ela seria proveniente de geleiras, de aportes pluviais ou de ascensão de camadas mais profundas?

Holly Michael, professora de Ciências da Terra e Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Delaware, que participou da expedição, expôs a hipótese de que “a água doce pode ter se depositado no local “há milhares de anos, quando o nível do mar era muito mais baixo e a plataforma continental estava exposta”.

Revelar “como esses sistemas evoluíram ao longo do tempo” pode ajudar a descobrir como esses recursos submarinos de água doce mudam à medida que o nível global do mar sobe.

Esse conhecimento pode ser aplicado a outras regiões onde há evidências de aquíferos de água doce offshore, como Indonésia, Austrália e África do Sul, a fim de inferir sobre sua formação.

Aquíferos submarinos poderiam ser uma alternativa diante da pressão antrópica sobre os recursos hídricos disponíveis em várias partes do mundo.

Mas, a exploração de aquíferos de água doce subterrâneos no mar se configura como um enorme desafio. Existem implicações de viabilidade do ponto de vista técnico, econômico e político.

“Proteger a água doce que temos em terra ainda é a melhor coisa que podemos fazer” – disse Holly Michael.

“Claro que isso não significa que não devemos buscar opções alternativas, e é por isso que estamos fazendo essa pesquisa” – completou a Professora integrante da expedição que fez a descoberta.

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